quinta-feira, 4 de dezembro de 2025

A festa

Que horas acaba?
Se ainda tem gente na festa,
Se ainda sambo miúdo 
Se ainda tem bolo e salgados.

Quando antes expectativa,
Roupa nova e perfume 
Sorrisos e risos
Olhos brilhando 
Corpo ansioso 
Mente vazia

Como saber,
Quando ir para casa
Quando não é mais querido
Quando se está sendo chato

Que horas acaba?
Se ainda desejo 
Se ainda te quero
Se ainda te amo

Mas agora é discórdia
Ideias cruzas
Olhares perdidos 
Visões pragmáticas
Sonhos torcidos 
Pele que se afasta 

Como saber,
Quando é melhor não estar
Quando seguir em preciso 
Quando tudo não faz mais sentido 

Que horas acabou e não sei por conta?

sábado, 29 de novembro de 2025

vida

Anteontem ainda era,
Como tudo e antes foram
Mas não assim, mas não hoje
Um som que ecoa ao longe
Um zumbido que ressoa em mim
Tal qual era e nem lembrava 
Pois sem aviso as vezes, fui 
Se não agora, talvez quando?
Se meu momento já passou 
Meu sol em vênus não ajuda
Minha casa em Angra desmoronou 
Tão sonhos férteis quanto hoje 
Nem reparo em coisas que não sou
Me acalmou em sombra e meia dose
Me acabo em transe de auto amor

domingo, 16 de novembro de 2025

Tentar

De queda em queda me resumo 
Anteontem ainda o mesmo
E ainda hoje.
Sem sombra e sem dúvidas,
Nem eira nem beira
Um sei lá de um quem sabe 
Ainda erro no simples
Ainda me calço de trapos
Ainda não saio de casa
Ainda é ainda, ainda
E quando o mas vem,
Sempre vem 
Digo forte e repito
Sopro de terra em olhos alheios
Sei mais disso tudo que todos 
Geralmente são mesmo 
O mesmo é o mesmo, ainda
Dia desses eu saio 
Corro três horas 
Compro pão fresco
Planto uma rosa
Mas por hora ainda sou o mesmo.

segunda-feira, 24 de março de 2025

hoje

Nem sempre se evolui
Os tempos se repetem quase sempre
Os erros se repetem quase sempre
O ódio sobre o ego se repete
Não sobra quase nada entre os meios
Foi meio que quase ao lugar certo
Volta e se volta contra mim
O tempo que nem cora nem rubra
Vim de antes e ainda agora
Como se o todo se bastasse enfim 
A calma que antes faltará 
O sono que hj falta
No caminho sem volta ou sem rumo
Caio em mim várias vezes 
Não sopro a poeira pois vem de mim
Cansei de servir a tudo e todos 
Controle impecável da massa 
Cheguei agora e repito o lugar
Não sofro por isso nem mais por costume
Entendo que é e que não posso agir
Sendo o melhor do pior e o fresco do passado
Sem rumo ou propósito sigo em frangalhos 
Despeço sem ir e durmo sem fim
Me caço em mim e encontro pedaços
Antes fosse o fim mas é só outro dia