quinta-feira, 1 de outubro de 2026

Fogo raiz

Nem os fatos,
Nem Retratos..
E o fardo impreguinado
Meu acaso, forte abraço 
Meus colapsos e contratos 
Comecei onde acabava
Consegui ter sombra e água 
Me ergui entre as carcaças
E se devaneio 
Desço em meio ordem 
Compareço em seu lugar 
Sobre o tronco da figueira 
Rezo forte ao luar baixo
E na fogueira arde a face 
De algoz a delinquente 

domingo, 9 de agosto de 2026

Sem nexo

Entre o quente e o frio, me amorno 
Um suspiro de de novo, um momento amargo
Feliz soberano entre foices e afagos
Um meio eu meio nada que não trago na mala

Feia de um só, maltrapilho 
Um arremendo de mim 
Como fogo de plalha 
Um mero estopim 

Cubro os ombros de aguado
Um momento sem fim
Como água em meu garfo 
Uma sopa de mim 

Me refresco em teus braços 
E me julgo ao cair 
Não existe um lugar
Ou abraço pra ir

Feito nobre me vou
Me arrependo por isso 
Não consumo meu ego
E acordo mais cedo
Pra perder meu juízo 

sexta-feira, 17 de julho de 2026

Comédia

Por mais vezes sem rumo 
Um eco de mim 
Um possibilidade 
As vezes medíocre
As vezes melhora
Um tanto de coisa 
Um tanto de bosta
Não saio de casa 
Não vejo jardins
Não conto piada
Não faço teatro 
Sem festa nem fraudes
Apego por zelo
Um Zé outro Zé 
Comum como qualquer um
Com frases na ponta
É um carma sem fim 

quinta-feira, 16 de julho de 2026

Sem malha

Na tentativa, na falha
Sem erro e sem malha 
Um caminho uma sentença 
Um amor e uma ofensa

Nem mais e nem menos
Um agora e um sofrimento 
Já me perco entre lágrimas 
Me afogo na fornalha 

Um gota e um pesar
Mais um dia sem pensar
Mas um fim que ninguém vê 
E escondo dos espelhos

Calma mente, me alivia 
Se perca em euforia 
E me deixe na ruína 
De um novo dia

quinta-feira, 9 de julho de 2026

outro talvez



Antes fosse.

Antes era.

E agora...

o que eu sou?

Não sou isso.

Não sou aquilo.

Não encontro o meio

entre o que fui

e o que ainda não sei.

Às vezes penso

que sou exatamente quem sou.

Às vezes,

acho que nem isso.

Saber quem se é...

desde quando?

Talvez.

Quem sabe.

Será que isso é real?

A realidade.

Os planos.

O tempo.

Tudo parece existir

sem nunca me alcançar.

Às vezes paro.

Penso.

Viajo.

Caminho.

Sonho.

Desejo.

Nada disso me devolve.

No máximo,

me lembra.

Talvez sejam

palavras soltas.

Talvez não.

Só sei de uma coisa:

tudo parece ser

aquilo que a gente quer.

Mas querer

vai além

daquilo que a gente vê.

E ver

também ultrapassa

o que a gente consegue fazer.

Às vezes acho

que digo coisas

completamente sem sentido.

Na maioria das vezes...

talvez diga.

Mas...

quem foi

que decidiu

que o sentido

precisa existir?

a pessoa do meio



Nesse momento,

me encontro.

Logo em seguida,

já não me sinto.

Já não me tenho.

Horas sou silêncio.

Horas sou escuridão.

Às vezes,

um brilho sozinho

no meio do nada.

Quem sabe um amigo.

Quem sabe um amante.

Um pouco de cada.

Um pouco de nada.

Quem sabe

se eu fosse.

Quem sabe

se eu era.

Quem sabe

quando virei

alguma coisa.

Quem me dera.

Eu tento

e não faço.

Eu faço

e não vejo.

E se tudo isso

fizer parte

de um plano?

Alguém por aí

escrevendo uma história

comigo no meio.

Que loucura...

Eu viajo.

Eu sonho.

Eu tento.

E quem sabe...

eu seja

a pessoa do meio.

quarta-feira, 8 de julho de 2026

Tempo

Em um copo, meio cheio 
Nada encontro, nem um freio 
Uma batida ou uma hipótese 
Um sentido ou um norte.
Grande coisa, não me busco
Nem me apelo aqui no fundo 
Não me acho em minha casa
Nem na rua onde estive
Compro sempre as mesmas mortes
Me enxugo em traumas leves
Onde estou, onde vou
Eu perdi o interesse 
As vezes finjo as vezes fujo 
Mas cadê o realmente.
Nada tem e nada dou
E vago ao leu do arpoador
Fome cansa de se ser firme 
Mas enfeito os dias tristes
Venha logo,ò grande fim
Leve o resto que há de mim
Pois não sobrou quase nada
Do que um dia houve aqui.

segunda-feira, 6 de julho de 2026

a lenda



Certa noite,

à meia-noite,

um lobo,

sozinho,

olhava o céu.

E assim pensava:

"Que amor é esse

que sinto pelo todo?

Pelas estrelas

e pelo breu?

Quem me contempla?

Quem escuta

meu uivar

ao anoitecer?"

Não sabia

se existia um tempo.

Nem um destino.

Nem um caminho

que devesse seguir.

Mas seguia o canto.

E ouvia vozes

que o haviam trazido

até ali.

Se as estrelas

pudessem responder,

talvez dissessem:

"Seu louco...

não cante para o mundo

aquilo

que apenas você

deveria ouvir."

Mas...

essa nunca foi

a verdadeira história.

Porque,

muito antes

do primeiro uivo,

uma estrela

já conhecia

o segredo.

Sabia

que o amor

é apenas

o canto

de um lobo

para a lua.

Mesmo sem saber

que a lua

sempre esteve

escutando.

sentido


Na verdade,

eu nunca soube

como começar

absolutamente nada.

Gosto de frases curtas.

Mas também gosto

das longas.

Às vezes enfeito palavras.

E gosto

quando enfeitam

as que me dizem.

Não porque me importe

com o sentido exato delas.

Mas porque preciso

que tudo faça sentido.

Se um dia me perguntarem:

"Você conseguiria amar

sem pensar,

sem hesitar?"

Direi que sim.

Porque sei

que eu consigo.

Mas...

quem faria

o mesmo por mim?

Se em ninguém

consigo confiar.

Eu desabafo.

Abro o coração.

Abro a mente.

Faço todo o trabalho

para que, no fim,

me digam apenas:

"É... né... complicado."

E talvez seja.

Nada disso é épico.

Nada disso é surreal.

É apenas

meu dia.

Minha noite.

Minha madrugada.

Apenas eu.

Sem nada mais.

Não tenho

um grande vocabulário.

Não tenho

discursos prontos.

Não tenho

uma mente inabalável.

Nem grandes feitos

para mostrar.

Mas...

quem sabe

seja justamente isso

que me faz existir

do jeito que existo.

Nunca me achei criativo.

Nem tento inventar mundos.

Mal saberia

contar uma piada.

Mas deixa eu te dizer

uma coisa.

Se você conseguiu

enxergar tudo

o que eu disse...

é porque,

em algum momento,

alguma parte de você

também encontrou

sentido.

E talvez...

isso já seja

o bastante.

Descascar




Existe em mim

uma parte

que, mesmo sem querer,

ainda luta

para ver o sol.

Para ver a lua.

Para ver, um dia,

uma flor nascer.

Não que eu plante alguma coisa.

Nem que eu tenha tempo

de esperar brotar.

Mas...

quem sou eu

para esperar?

Sempre me julgo paciente.

Até com quem

talvez não devesse.

Se o amor

me faz contente...

por que diabos

eu fujo dele?

Tenho medo.

Tenho dramas.

Choro fácil,

se insistir.

Mas quase nunca insisto.

Quase sempre

eu apenas faço sorrir.

Não a mim.

Mas todo mundo

que cruza meu caminho.

Quero que pensem

que talvez

eu seja alguém

que vale a pena ter.

Só que,

quando fico sozinho,

descubro

que não há ninguém

para ser.

Existe um eu.

E existe...

eu.

Nenhum dos dois

faz questão

de existir inteiro.

Como uma fruta

no meio das podres,

eu nunca consegui

apodrecer.

E, mesmo assim,

não sirvo para nada.

Às vezes penso

que devo ser de plástico.

Ou talvez

eu tenha apodrecido

por dentro,

sem perceber.

Talvez,

no meio do caminho,

eu tenha vivido

coisas

que nunca chegaram

a acontecer em mim.

Queria ter vivido melhor.

Mas todo dia

eu olho ao redor

e tudo parece

a mesma coisa.

Nada muda.

Então me pergunto...

Cadê o sentido

de descascar essa laranja

se ninguém

vai querer

prová-la?

vício

Certo dia me deparei.
Existe a frente.
Existe o atrás.
Se insisto em perseguir,
o que me resta para ficar?
Se quero mais,
e sempre mais,
às vezes...
é tudo o que eu não quero.
Me obrigam.
Me desejam.
Esperam de mim
algo que eu já sei
que nunca vou oferecer.
Me tragam flores.
Me tragam doces.
Me sirvam um jantar ao anoitecer.
E eu...
eu queria, sabe-se lá o quê.
Talvez apenas adormecer.
Não para sempre.
Só por um tempo.
Até que tudo voltasse
a ser
como era
antes de crescer.
Quando eu acordava
e bastava existir,
simples
como um amanhecer.
Nem gosto de fazer rimas.
Não sei por que insisto.
Talvez porque algumas palavras
soem como música
antes mesmo de terem sentido.
Se hoje eu tenho tempo,
é porque um esforço enorme
foi feito
para que o tempo existisse.
Mas a culpa...
a culpa não vai.
Eu me culpo por poder.
Me culpo por mentir
para conseguir me iludir.
Me culpo por me ter
e nunca conseguir
ser.
E o que faço
com tanto tempo
se minha mente
não me ajuda?
Ela empilha coisas.
Ideias.
Medos.
Ruídos.
Como quem enche um quarto
onde ninguém mais consegue entrar.
Eu poderia
simplesmente acabar
com tudo isso.
Mas então me lembro...
que, no fim,
o que realmente possuo
talvez não seja nada
além da porra
desse vício.

Teatro

Se eu pudesse escrever 
Sem fim, sem ritmo 
Você ainda entenderia meu sentido 
No caminho até aqui um pedaço se perdeu
Não o meu, não o seu 
Algo além do que se vê 
Meus temores se refletem 
Meus caminhos te repelentem
Eu quero mais e não por si
Eu quero mais por saber de mais
Por mais que tente não conseguiria 
Nem se a força eu tentasse 
Já tô a tempos me fazendo 
Montando de alegorias
Não me acho na bagunça 
Que eu mesmo ou você cria
Se a coragem que me falta 
De assumir esse papel
De vilão ou de mocinho
Eu busco apenas um final

faz de conta

Como aprender o passo
num chão que cede ao toque?
Se onde piso é sempre mole,
como confiar no norte?
Como seguir adiante
se o passado é inato,
insólito, insistente,
morando em cada ato?
O que faço pra sorrir
se o amor em mim é pouco?
Se tudo o que já foi inteiro
hoje cabe em tão pouco?
Faço rimas.
Faço histórias.
Canto restos da memória.
Mas nada encontra preço,
ritmo, peso ou valor.
Eu forço.
Eu arrisco.
Eu me exponho.
Eu insisto.
E, ainda assim,
em nenhum momento
eu estou presente.
Depois me escondo.
Me acanho.
Fujo de mim mesmo
como quem conhece o caminho.
Se o amor já existiu...
Se ainda existe...
Se ainda vai existir...
Que bosta é essa?
Eu só queria,
nem que fosse por um instante,
sentir de novo
um pouco de prazer.
Mas faz de conta...
Faz de conta que está tudo certo.
Porque, no fim,
é isso
que eles querem ver.

sábado, 4 de julho de 2026

Quartos

Na mesa ao lado, apenas cinzas
A frente o que já não me convence
Lençóis sujos ou tão gastos
Olhar de cima é golpe baixo 

Dentre areia e outros pelos
A sujeira impregnada 
Calma o peso do copo 
Sob as molas já sofridas

Onde joga as roupas velhas
Onde compro novos tênis 
Minhas meias já furadas
Meu passado corrompido 

Argumentos sem contexto
Ou lamentos sem presença 
Calo o rangir da porta seca
Ouço bater da sua partida

Nunca houve um recomeço 
Ontem mesmo era dia
Faz de conta e faca as contas
A porta mesmo foi eu que abri

sexta-feira, 3 de julho de 2026

Dialogo 2


O sol já não ardia tanto naquela tarde, e Davi estava no parque ao lado do seu prédio. Brincava como qualquer criança de sete anos.

E era óbvio que isso teria consequências.

De longe ouviu-se um grito, depois um choro seguido imediatamente pela palavra:

— Mãe!

O eco atravessou o parque aparentemente vazio.

Como quem acorda de um delicioso sono da tarde, saiu o Sr. Cinza de dentro de um tubo verde-limão, ao lado da caixa de areia.

— Por que chora? — perguntou o Sr. Cinza a Davi, quando obviamente já sabia a resposta.

— Eu caí... ralei meu joelho no cimento. Não vê o sangue?

Sr. Cinza, já acostumado com fraturas e machucados que levaram dias para sarar, disse:

— Chora. E deixa a dor doer. Você ainda vai sentir muita dor e não vai ter essa oportunidade novamente.

Davi, sem entender nada, perguntou:

— Como assim? Não vou poder chorar? Mas por quê?

— Às vezes a gente rala o joelho pelo lado de dentro. E não tem como chorar, porque a gente nem sabe a gravidade do machucado. Você está aí chorando porque vê o sangue escorrer. Sente a ardência. Ainda tem resto de cimento na pele. Isso é a manifestação do seu machucado.

— Eu não vou mais sangrar? Nem ralar o joelho?

Sr. Cinza, já com sono novamente por gastar sua tarde consolando uma criança, respondeu:

— Vai.

— Muito?

— Muito.

Davi abaixou a cabeça.

— E o que eu devo fazer?

— Chore enquanto ainda sabe como.

A criança permaneceu em silêncio por alguns instantes.

— E depois?

Sr. Cinza espreguiçou-se lentamente.

— Depois... você aprende.

Davi olhou novamente para o joelho ensanguentado e voltou a chorar.

Quando levantou os olhos, o Sr. Cinza já estava em cima do escorregador, deitado sobre a chapa ainda morna, apreciando os últimos minutos de sol.

Como se aquela conversa já não lhe pertencesse mais.

Dialogo

Era noite, o frio vinha no vento, cortava a pele.
Sr Cinza, como era conhecido entre os felinos andantes encontra um homem.
Homem esse entre e o fim e o começo. 

Se Cinza se aproxima, como gato.. como qualquer gato.

O homem meio que abre os olhos e fala

- xo gato imundo 

Sem saber se ainda vivo o homem ouviu do gato

- por que está aqui em meio ao frio, sozinho. Logo você, homem da qual a tudo pertence, eu mero andante a depender de migalhas

- o que são migalhas, quem eu sou já não importa. Eu sou uma migalha - retrucou 

- Sr Cinza, rebate. Pra ti meu caro, o que falta a mim é fartura. Seu lixo é minha riqueza e seu nada é meu tudo.

- de que sabe um gato, sobre as dores que um homem pode ter, se aqui estou é por que tusoxme falta

- o que é falta se não um espaço que não existe, você criou o espaço para preencher algo que achou que precisava. E precisava? Disse Sr Cinza olhando para cima e continuou. Vocês inventam espaços para preencher o tempo todo depois se culpam por não conseguir.

- e você lá entende de,  dinheiro? Das expectativas que noa é imposta dia a dia? De com é ser o que todos querem que vc seja?

- não respondeu Sr Cinza. Não sei nada além de ser um gato. De buscar por comida e um lugar pra dormir. De apreciar noites lindas como essa e ver humanos se resumirem a faltas e espaços vazios.

- viu, você já mais entenderá o peso que carrego, e por que estou aqui, nesse chão, talvez não acorde amanhã para descobrir se "eu" fiz falta.

- você nunca vai saber, miou se espreguiçando o Sr Cinza . Você não estando aqui jamais irá saber se faz falta. Mas com certeza alguém irá ver que você não está lá. Não sei se filhos, esposa, marido, mãe, patrão. Alguém olhará um espaço vazio. Outro espaço a ser ocupado. 

- está vendo sou apenas um pedaço de carne ocupando um espaço que irá vagar e ser ocupado em seguida. Não farei falta.

- e vc quer fazer falta?

- todos querem fazer falta, não?

- não, eu mesmo não quero ser "falta" quero ser presença. Assim como aqui e agora. Sou presente. Estou aqui não estou? E você ? Onde você não está?

- eu não estou na minha própria vida, eu me perdi, me anulei, fiz de tudo e não consegui chegar lá.

- lá? E onde é lá? Lá não pode ser aqui? Pois se o lat é aqui, é tão você chegou. Estamos sempre chegando em algum lugar. Eu cheguei aqui talvez por acaso talvez não. E vc chegou , ou melhor, está caído aí, como se lá fosse grande coisa ou melhor do que "aqui". É que lugar melhor pra se estar só que exatamente aqui e agora?

- vc jamais entenderia, vc nada é além de um gato vira latas de rua que não tem ninguém.

- mas a questão é, eu preciso de tudo isso pra saber que você merece estar aqui, e continuar aqui? Você não precisa ir a lugar nenhum a não ser o agora. Não existe espaços vazios quando você não cria espaços vazios. Por que , amanhã quando acordar, e você vai acordar, não procura menos. Deixa apenas o espaço que você ocupa nesse momento completo. Seja completo no momento presente. Quam sabe vai entendender que não tudo isso que você criou está abrindo espaços e espaços que nunca iram te caber.  Seja como um gato e apenas ocupe seu espaço em você .

- o homem dormiu, acordou com lambidas de cachorro na cara, a calçada já estava quente pelo sol. E no alto do prédio viu um vulto cinza sumir no telhado.


Flagelo

Clava forte o doce som
Canta o seus um amorgo coro
Dante meus amados anjos
Um sagrado portifólio 
Dobro em ti o meu pesar
Dói em mim soar tão frio
Me acalma o som do mar
E enfurece os meus sentidos
Queria assim como eu quero
Faça em seu o meu desejo 
Nobre, o nobre ser supremo
Mate em mim o peso e a culpa
De já não há de ter por ti
O amplo foro das licitudes
Embora fostes sempre amado
Vai em símbolos no escuro
Cai na noite enluarada 
Morre e escorre na calçada
Ó pesar quem em mim habita
Cure em minh'alma angústia fria
Choro em densos lentos passos
E me desmancho em meus braços 
Da poira e a poeira me entrelaçou
Como um meio as falsos
Sem eira e nem beira.

domingo, 28 de junho de 2026

culpa

O que você vê, realmente é 
Não existe verdade nos atos
Podem ser moldados ao momento 
Um tempo de conforto 
Um caso de mentira 
Meu corpo se foi ontem
minha mente já não vejo 
Caibo pouco nessa farsa
Meço dedos e cantigas
Me suporto ao ponto certo
Me confundo ao traço reto
Letra a letra dessa presa 
Combo certo de alegria
Não a minha, não agora
Torço o tempo em meio ao dia
Hoje é praga
Hoje é fria
Meu caminho me mantinha 
Tão cego é tão difícil 
Me conforto com o todo
Me apago como cinzas 
Me anulei pouco a pouco 
E sumo em mim mesmo

sábado, 27 de junho de 2026

punk e rock

Corre, se apresse o muro está caindo 
Foi de longe a primeira visão 
No fundo é mais fácil ver a luz
No dia a noite corre sozinha
Na catástrofe um pouco de ar
Encanto o som tá.guitarra
Sem perdão aos ouvidos
Caos e melodia
Apareceu e sumiu 
Nada diferente dele
Ele tem contra no sussurro 
Parte ele e me parte 
Suor e dormência 
Meus dedos já doem
Não mais pelo dedilha
Escolher é sofrer
Correr, outra vez
Me manda acordar
Nesse som sem perdão 
Mas por sim que por não 
A doce dor da liberdade 

quinta-feira, 25 de junho de 2026

Adiante

Calmaria no mar, não trás onda
Sorriso sem cor, nem cá e nem lá 
Uma parte de mim já caiu e voltou 
O meu ato final ainda não chegou 
Se meu som é tão baixo eu escuto o eco
O caminho de terra e repleto de mato
Não sonhei tão em vão, nem corri por um nada
Derretto meu gelo na saída da praça 
Eu adoro os campos verdes 
Mas odeio as migalhas
Antes era um presente 
Decaindo no processo 
Sorte então já não sentia 
Menos eu e mais mentira 
Camadas entregues ao lado vivo
Perdido em casa no meio da cama
Sonhar certo dia, um drama qualquer 
Torcendo por dores o peso da calma
Talvez sem um fim é falha da alma

segunda-feira, 22 de junho de 2026

Metáforas de um verso

Tudo é até não ser 
Antes voz agora eco 
Antes calma, agora pressa 
Antes alma, agora corpo
Antes tudo, agora nada

Foi-te embora, pela porta 
Capitão em seu navio , 
onde o mar não faz redemoinho 
Na despedida um asceno 
Mas na chegada um beijo 

Mal amado, mal caráter 
Mal educado e mal, bem  nem tanto 
Soprou forte a cortina ,co vento derrubou o vaso
Com destino em suas mãos ou apenas o acaso

Tudo foi e volta a ser
Em nova aurora ou amanhecer 
Cante comigo, seja bem vindo 
De corpo e alma 
Sem pressa 
E tudo se acalma.
De novo.



quarta-feira, 17 de junho de 2026

Mas e no meio?

No início, era luz, era caminho , era destino 
Antes fosse, como tudo o real assumindo 
Fora eu, talvez fosse de fato bom
Mas fato esse que o torto e falho 
Quebrou em partes e finos cacos 
Ontes fosse, mais um murmúrio 
Ou uma hipótese a mais no vento 
Melhor sofrer o golpe logo e sem dó 
Nem pena, nem galinha
Mas fato esse quebse não somo eu sumo
E deveria, por menos hoje
Melhor não ter e permanecer firme
Nem calma, nem cama
Sem isso tu vinga, tudo cresce e floresce
No fim, sou breu, sou morfina. 
Uma rua sem saída. 

terça-feira, 16 de junho de 2026

a morte

Não a amo e nem odeio 
Não a quero de fato alheio 
Admiro como via suprema
Atordoa e ainda plena
Caminho ao lado, apenas ao lado
E ao redor me fala asneiras
Como querer quem quer o todo 
E ainda estar no altar de todos
Mas ela é muito e pouco apreço 
A venero mas não mereço 
Nem quero ir ao seu encontro 
Mas sinto estar  no seu caminho
Um dia iremos estar juntinhos
Não agora nem tão cedo
Mas não a amor nem a odeio 
Que todo fim é belo e certo.
Incerto mesmo apenas nós 
Pois ela é certa e tão certeira 
Do por do sol a note preta.
Mas não amo nem a odeio. 
Creio.

Discórdia

É como um montoado de coisas existindo 
Atordoado por flechas de todas as direções 
Não como mártir, apenas vítima 

Ontem o caminha era mais torto
Hoje a premissa é simples
Amanhã o talvez me permeia 

Cantiga de novo, uma roda de vida
Ciclo inerte de contas e pérolas
Adorno de fita, de laço, de aço 

Outrora um autor, um poeta,num menino 
Caminhante não há caminho 
Já dizia meu livro 

Me vem na memória o desejo da sorte
Me agrada nos dias o querer pela morte
Me sinto a vontade vivendo sem norte 

Chegando, eu chego, não chega de vez 
Amando não canto, me engano outra vez
Sigo escrevendo, com pouco em escassez 

Por isso não digo, não brigo nem falo
Me calo, me escondo com dor e fadiga
Não busco mais glória apenas caminho 

quarta-feira, 10 de junho de 2026

Por inteiro

Sigo em partes, pedaços de mim
Coloco em palavras os números quebrados 
Metáfora de algo que cola o meu eu
Cadência de erros e dores sem fim

Mergulho em triste e me afogo em saudades
Escrevo tão mal que consulto os passado 
Descrevo o meu todo em frações inexatas
Me busco em canções que não cobram pedágio 

Se falta estrutura, te jogo um soneto
Me faço se culto,
Te mostro o lamento

Não presto mais contas 
Nem julgo meus atos
Estou na espera do próximo ato

4/4

Logo ali, no poente
Um menino, um poeta
Um palhaço, uma festa
Entre tudo, dentre todos 
Ainda sim, ainda resta 
Onde está o menino ?
Pergunto ao reflexo 
Não se esconde de mim
Nem corra tão cedo 
Logo ali, no poente 
Uma dor, uma aresta
Um sofre e uma festa
Não se esconde de mim
Eu te acho sem pressa 
Sempre ali, na espera
O melhor nos espera 
Se eu vencer essa noite
Amanhã vai ter festa 
Logo ali, no poente 

3/4

O que resta, no resto 
Tão quanto o preço, o custo 
Na conta exata o momento 
Nos números as dores
Se somo aos teus poucos
Ser positivo e não sobras
Me refaço nas contas
E encaixo as perdas
Tal qual como um balanço 
Quem jugar necessidade 
Ou apenas costume 
Um sentido sem foco 
Sem um público alvo 
Tal empresa reside
Como abrigo logo a frente
Mas não paga ou se paga
Nem vendendo as correntes 
Matematicamente 
Uma vida falida 
Uma mente doente 

2/4

A força que fazem 
Que acho que foi 
Mas só na cabeça
Mas só no meu ver
Que tiram o centro 
Que movem o peso
Não caibo em mim 
Nem tenho mais tempo
Quem fui ou quem sou 
No momento é questão 

Tão fraco que assusta
O que fica é o resto 
Não só na cabeça 
Aos olhos de todos
Aos cantos e arestas 
Não movem nem ar
Tão grande que invade
Consome uma vida
Que agora estou indo
A resposta é a mesma


1/4

Parte de mim é casa
Outra é abrigo 
Parte do sangue é coragem 
Outra é dor
Parte da água é vida 
Outra é morte

Fim de semana eu não vou 
No outro eu nem estarei
Cansei de sorrir no espelho 
Vendi meu amor no brechó 

Parte de dentro é fora
Outra é moral 
Parte de tudo é o fim
A outro o começo 
Parte mim é certeza
Outra é dúvida 

quinta-feira, 4 de junho de 2026

i am suvvivor

Pouco ouço sobre os que ficam 
Tantos se vão, por medo
Por falta
Por pouco
Mas nem todos
O ego fica
Quem mais
Quem menos
A melhor parte 
Sem música 
Sem filme 
Sem glória
Ficar não vende?
A alegria de ser 
Permanecer
Sorrir
Solitar
Se  fui, se quis, se foi
Nem ouço mais trauma tocar
Cabia em tanto que exauri
O bom que está.
O pior pra você
O melhor de mim 
Que ficou 
Que amou 
Que seguiu 
Que vive 

terça-feira, 2 de junho de 2026

outro se

Se, o sim vier
Ou mesmo assim ficar
Como saber se é crível 
Ou mesmo ir e não saber 
Se, eu não tentar 
E o acaso me alcançar 
A mente vai mergulhar 
A dúvida vai afundar
Se, talvez soprar 
O carro vai afogar 
O motor vai arriar 
Não tenho como frear 
E se , apenas se 
Meu caso alucinar
Os cacos não vão cortar 
E um vitral pode brilhar 
Mas , se por se já basta
E amarga qualquer café 
Escolhas não são o ápice 
Por isso o limbo é parte
E se, o se já for resposta 
Mas sempre é sim ou não 

Ponto cruz

Certa vez, não por enquanto 
Ouvi dizer, mas no entanto 
Da falta que a falta faz
Gatilho pra costurar 
E linha sem fim
Uma renda, um lençol 
Um pano de chão 
Em que o uso 
Ou desuso
Ou prelúdio 
Concluo
Se falta se basta o todo
Se cheio apenas o copo
O corpo 
Já vem oco
Como quem diz
Espera um pouco!
Enquanto vem
E quando vem
Não vem
Se foi, já era 
Se está, já foi
E começa 
E termina 
No ponto 
Na linha
Na agulha 

segunda-feira, 1 de junho de 2026

ELA*

Em sua companhia 
Já não me assusta
Por vezes, conforta
Quem sabe hoje
Quando ela vem
Quando ela chega 
Corte seco no ar
Perfundo na pele
O eco de mim 
O sopro do caos
Nem encontro 
Nem me acho 
Quis sentir
Senti 
Quis ter 
Tive
O peso do que existe
Indefensável 
Indiferente 
Incoerente 
Foco no fim
Dia pós dia
Ela não veio hoje 
Te aguardo 
Amanhã 

sexta-feira, 29 de maio de 2026

Prisão

Quando se.deixa, se perde
Não conta nem cobra 
Ontem ainda justamente 
Hoje não é motivo 
Onde é está 
Não me diz e nem me conta 
E nem devo
E nem posso
Quem sabe assim 
Quem sabe ainda 
Mas não hoje 
Duvidar é castigo 
E não crer e motivo 
Escolha consciente 
Fim do el
E da corrente
Liberar e libertar 
Parente mais 
Internamente 
E eternamente.
Se perpétua 

quarta-feira, 27 de maio de 2026

Pagode

A memória é falha, ao saber dos casos
Assim como o dia as vezes escurece 
Pode ser chuva ou eclipse
Pode ocorrer que ontem era domingo 
Um dia a mais eu era eu 
Depois de meses nem sei quem é 
O caso certo nem vem ao caso
O motor do carro já nem da partida
Meu canto e claro e específico
Trago boas e novas de agonia 
Tenho coragem e pouca coisa 
Melancolia e tals gracinhas 
Jantei mas nem queria
De fome ao todo não morro jovem 
De amor talvez, nem vivo mais
Meu canto é claro é quase um vidro
Quebrado e aos poucos cortando todos
Primeiro eu, depois o samba. 

terça-feira, 26 de maio de 2026

incógnita

Está, em todos os dias 
Se move como quem sabe o caminho
Não hoje , talvez venha mais cedo 
Um pouco, uma hora ela chega 
Remove a pedra da estrada
Encaixa o seu peso no espaço 
Palavras nem tão soltas ou menos 
Quem sabe eu me chame de novo 
Um trauma preciso e e inquieto 
Cortante e com laços de fita 
No sonho a verdade é mais linda 
Na pressa esqueci meus sapatos 
Se entende, já achou a estrada 
E se perde, nem sabe do que se trata.

segunda-feira, 25 de maio de 2026

estrada

No início, tudo suatenta
O ardor a foligem
O queimar não atinge 
Cada fato, cada peça 
Tudo se enche, tudo completa
Mas escoa, vez ou outra 
E noa sobra o vazio 
O que se perde
Onde nada resume 
Um sentido, sem eu estar
Sem presença, sem motivo 
O de que fico 
Onde me caibo
Fonte de glória
Esgota a faringe
Derrota a memória
Vencendo a noite 
Matando o descanso 
Onde mora a agonia 
Onde se foi a paz do dia
Nem cmantes nem hoje
Não conta os pedaços 
Os que sobram na fala
Que prendem na hora 
Que morrem do nada
Ontem direito.mas cedo um pedaço 
Falando comigo 
Sonhando em partes.tentando tentar
Não entro nas coisas 
Cresci no meu sono
Meua pés ficam fora
E a cabeça já falha
O único caminho
O que acaba
Pois começou 

acabou

Se fosse o fim, eu teria medo 
Mas também alívio 
Se fosse agora seria paz 
Pra mente, pra mim 
Enfim um abraço calmo
Um descanso 
Da mente, da mesma
Só tenta, do acaso
Um suspiro, um suspense 
Uma lâmina, um remédio 
Um pesar 
Um desejo 
Um ponto
Não vírgula 
Talvez não queira 
Talvez seja 
Um caminho 
Um retorno 
Um começo 
Pra mim, por todos
Para que seja 
Ateno e único 
O melhor 
Meu melhor 
Meu legado 
Meu desejo 
Enfim
Um fim

quinta-feira, 21 de maio de 2026

Caótico

Há beleza no caso
Na contrução eminente 
No estado que nos olhamos
Criamos cidades inteiras 
E mudamos de casa
Fazemos crescer 
Fazemos florir 
Fazemos morrer
O caos intriga
Projeto de futuro 
Um absoluto nada
Se torna um planeta
E mudamos de lá 
E ecoamos no vácuo 
E voltamos ao caos 
Como sede por dor
Desejo por ardor 
Montamos a cama
Sonhamos e reviramos 
E mudamos de quarto 
Seria o caos 
Motor do caminho
Seria caminho 
Que leva ao caos
Seria escolha
Seria destino 
E mudamos de rota
A busca por fins
Por meios e bordas
Respiro e retomo 
O próximo caos

quarta-feira, 20 de maio de 2026

o fim

A falta de repertório, talvez 
O troço que me recusei a guardar
Cantiga antiga e tão nova
No meu rádio ouvi
E não some da mente
E não consome o clamor
Me devora os sentidos 
Tão simples
Tão fatal
Como quem fala ao ar
Como quem sofre calado
Um terço do erro.merade da dor
Eu sei que divido
Parece completo 
Mas fácil parar
Pior prosseguir 
Nem hoje
Nem amanhã 
Quando talvez
Mas pesa no peito
Corta o silêncio 
Um soco no peito 
Um calo no pé 
Nem simples nem quieto 
Um berro no vácuo 
Congelo em mim
Sem reação
Sem graça 
Real 

despedida

Poderia ter sido antes
Mas as peças que faltavam 
O tempo que sobrava 
A coragem que fugia 
Tem coisa que dói menos
Tem solução que tem problema 
Tem mágoa que escoa
Tem rio que não volta
Do tempo que já teve
De erros que curam 
De pesos que seguram
De pedras no sapato
Tem caminho que descruza
Tem pegadas que se juntam 
Tem momentos que não voltam
Como o melhor que existiu 
Como o sorriso que durou 
Como o poço que abundava
Como a arte que cantava
Como os olhos que brilhavam
E tem nós, que de nós 
Só a memória 
Só a discórdia
Só as fotos
Só .. e só 

Desbocado

Toda merda, um novo dia
Várias causas, pouca noção 
De outros, de mim , dos fatos
Da causa perdida 
Gentalha ruída
Amores amargos
Um filho da puta
Uma mãe sem filhos
Novas regras criadas
Pouca gente ouvindo 
Muitas vozes ecoando 
Um sentido vazio 
Essa porra entalada
Essa garganta fechada
Esse grito não dado 
Belo peso nas costas
Mais um berro no ouvido 
Outro pedaço de bosta 
Qualquer hora implodo 
Enfim , quem sabe te mando 
Para casa do caralho 
Com todo respeito .

segunda-feira, 18 de maio de 2026

cigarro

Ente os dedos a morte
Entre tragos a angústia 
Um disfarce de calma
Metáfora de conforto 
Um padecer em 20 partes 
Um sufoco.
Um engasgo 
Cansaço queimando 
Fumaça que espalha
Calor que transforma 
O perdão que não vem 
A promessa não feita
O poder mentiroso 
Tempo em cinzas
O amarelo que grita
O vício inerente
Ao peso
Ao caos 
Ao interno 
E ao inferno 

melancolia

A água, as vezes me acalma 
As vezes me afoga
Molha bo vca seca, encharca a minha alma 
Quase sempre me afago
Gota a gota me inunda
Me imunda e não limpa 
Vivo seco em arreia
Nem miragem nem oásis 
Apenas visão 
Apenas ilusão 
Apenas o mar
Que não leva e não trás 
Não revela nem some
Apenas água 
Vida infinita
Morte súbita 
Um pouco de mais 
E não volto amanhã
Não cresce meus brotos
Não rega minha flores
Apenas água, sem cor e sem gosto 
Mas afundo em azul
E sumo na maré 
Não vejo uma praia 
Não tenho meu barco
Não mato minha sede
Não saceio minha calma
Humidece e apodrece 
Mofa os cantos
E não mata minha sede 
Só ferve meu dias
Molha meus pés 
E resfria meu corpo.
E não mata minha sede
E não acaba  
Não seca
E não mata minha sede 
E sigo molhado

sexta-feira, 15 de maio de 2026

Calado

Tudo, sempre em branco 
Na tela, no teto, por dentro 
Em panos em partes em artes 
O fluxo não me passa 
Me perdoa 
Na retórica, no retorno 
No contexto 
Sem pretexto 
Sem conclusão 
Seria o jeito, seria agora
Não é a hora 
Não vou embora 
Seria fraco, seria franco 
Seria espesso 
Um novo mesmo
Um mesmo novo
Um caos montado 
Um bolo assado
Me vejo em dobro 
Me calo aos poucos 
E sufoco os outros 
Com meu silêncio 

arte

Quem julga o que se cria
Ou mesmo molda o criador
As variantes são perdas fáceis 
O ardor nem sempre arde
Cansei de entrar em becos tortos
Mas sempre tento olhar pra baixo 
Fico em prantos cantando hinos
Mergulho em ondas me sufocando 
Nem sempre tanto mas sempre tonto
Antes mesmo de repetir tantas vezes sempre 
Ainda canso e ainda tento 
Mas sempre é hoje
Mas sempre é ontem 
Amanhã não sei 
Amanhã não é regra 
Amanhã é sorte
Amanhã é arte
E arte será para sempre, arte. 

terça-feira, 12 de maio de 2026

Outra vez

Café fresco, cheiro no ar
Mas uma vez eu tomo sozinho
Sem divir o pão, nem os frios 
Nem as dores as mesmas cores 
Outro dia, outro espaço 
Entre dois dias, entre dois anos 
Outro almoço, outra comida
Outro vazio, entre as refeições 
Entre os expedientes
Outra janta, outra cantina
Outro cantinho, parado ocioso 
Outro vazio, entre dois anos
Entre não sonhos, entre duas noites
Outro café, outro vazio 
O mesmo sozinho 
Eu mesmo vazio 

a morte fala

Hoje acordei, mas não queria 
Talvez fosse melhor a morte
O vazio de não ter espaço 
Onde se cria o inconsciente 
A necessidade de sentir
O alívio não veio, permanece fardo
Abrir pra vida e ter despesas 
Corar de ódio a cada dez minutos 
Perder o tempo e não ganhar nada
Sorrir sem tempo e sem foco 
Acordei mas não te desejo
Não aconselho 
Nem incentivo 
A morte seria um bom caminho 
Calmaria sem dor
Sem peso
Sem medo
Sem ar
Acordei, mas não queria
Meu corpo me obriga
Assim como tudo
Me força manter 
Me enganar a viver
Acordei,
Mas não tô vivo

sexta-feira, 20 de fevereiro de 2026

Eu, poeta.

Eu não sei escrever poesias,
Mas ainda sinto como se soubesse 
Como se fosse capaz de fazer minha dor  virar beleza.
Até tento me envolver de ritmo, cadência 
Mas no final ainda são só palavras 
Coisa largado, jogada 
Até fazer algum sentido 
Trago um cigarro como poeta 
Bebo na taça como poeta 
Mas nem em caneta pego
Minha letra é feia
Me esforço em parecer 
Com algo
Com alguém 
Com certeza 
Sem dúvidas não sei fazer poesia
Mas escrevo até sair de mim 
Angústia 
Magoa
Ódio 
Amor
Nem repertório ou vocabulário 
Nunca li livros por completo
Nem me inspirei em outros tantos 
Mas ainda me sinto 
Me encanto 
E surpresa!
As vezes é isso
Não sei realmente se escrevo poemas 
Mas aqui, como tantos 
Mais um terminei. 

sexta-feira, 23 de janeiro de 2026

calma

Calmo, solista 
Dentre vento e ventania
Sigo leve a calmaria 
O interno apenas se cria
Vivo solto a paisano 
Só peso a mão no importante 
Mais um dia,
Mas um dia!
Nem ontem era
Nem hoje é 
Levemente fugaz
Calmo e solista 
Sigo indo 
Sigo em paz.

quinta-feira, 1 de janeiro de 2026

último

Talvez seja o primeiro 
Mas depende de quem me vê 
As vezes o tempo é relativo
Calmo, as coisas vão de pouco
Ontem acabou mais um, hoje começa 
Desejo que tudo, enfim mude
Creio no ontem como correias
Mesmo sendo um tanto inútil 
Mas fé nunca me falta
Nem que eu tente muito ainda
Viver em voltas sempre me ocorre
Pensar de mais também me assombra 
Correr em círculos já é costume 
Tentar nem cansa hoje em dia
Mas começou mais um, mais outro
E nesse dia repito o rito 
Quem sabe nesse eu consigo.