quinta-feira, 1 de outubro de 2026

Fogo raiz

Nem os fatos,
Nem Retratos..
E o fardo impreguinado
Meu acaso, forte abraço 
Meus colapsos e contratos 
Comecei onde acabava
Consegui ter sombra e água 
Me ergui entre as carcaças
E se devaneio 
Desço em meio ordem 
Compareço em seu lugar 
Sobre o tronco da figueira 
Rezo forte ao luar baixo
E na fogueira arde a face 
De algoz a delinquente 

domingo, 9 de agosto de 2026

Sem nexo

Entre o quente e o frio, me amorno 
Um suspiro de de novo, um momento amargo
Feliz soberano entre foices e afagos
Um meio eu meio nada que não trago na mala

Feia de um só, maltrapilho 
Um arremendo de mim 
Como fogo de plalha 
Um mero estopim 

Cubro os ombros de aguado
Um momento sem fim
Como água em meu garfo 
Uma sopa de mim 

Me refresco em teus braços 
E me julgo ao cair 
Não existe um lugar
Ou abraço pra ir

Feito nobre me vou
Me arrependo por isso 
Não consumo meu ego
E acordo mais cedo
Pra perder meu juízo 

sexta-feira, 17 de julho de 2026

Comédia

Por mais vezes sem rumo 
Um eco de mim 
Um possibilidade 
As vezes medíocre
As vezes melhora
Um tanto de coisa 
Um tanto de bosta
Não saio de casa 
Não vejo jardins
Não conto piada
Não faço teatro 
Sem festa nem fraudes
Apego por zelo
Um Zé outro Zé 
Comum como qualquer um
Com frases na ponta
É um carma sem fim 

quinta-feira, 16 de julho de 2026

Sem malha

Na tentativa, na falha
Sem erro e sem malha 
Um caminho uma sentença 
Um amor e uma ofensa

Nem mais e nem menos
Um agora e um sofrimento 
Já me perco entre lágrimas 
Me afogo na fornalha 

Um gota e um pesar
Mais um dia sem pensar
Mas um fim que ninguém vê 
E escondo dos espelhos

Calma mente, me alivia 
Se perca em euforia 
E me deixe na ruína 
De um novo dia

quinta-feira, 9 de julho de 2026

outro talvez



Antes fosse.

Antes era.

E agora...

o que eu sou?

Não sou isso.

Não sou aquilo.

Não encontro o meio

entre o que fui

e o que ainda não sei.

Às vezes penso

que sou exatamente quem sou.

Às vezes,

acho que nem isso.

Saber quem se é...

desde quando?

Talvez.

Quem sabe.

Será que isso é real?

A realidade.

Os planos.

O tempo.

Tudo parece existir

sem nunca me alcançar.

Às vezes paro.

Penso.

Viajo.

Caminho.

Sonho.

Desejo.

Nada disso me devolve.

No máximo,

me lembra.

Talvez sejam

palavras soltas.

Talvez não.

Só sei de uma coisa:

tudo parece ser

aquilo que a gente quer.

Mas querer

vai além

daquilo que a gente vê.

E ver

também ultrapassa

o que a gente consegue fazer.

Às vezes acho

que digo coisas

completamente sem sentido.

Na maioria das vezes...

talvez diga.

Mas...

quem foi

que decidiu

que o sentido

precisa existir?

a pessoa do meio



Nesse momento,

me encontro.

Logo em seguida,

já não me sinto.

Já não me tenho.

Horas sou silêncio.

Horas sou escuridão.

Às vezes,

um brilho sozinho

no meio do nada.

Quem sabe um amigo.

Quem sabe um amante.

Um pouco de cada.

Um pouco de nada.

Quem sabe

se eu fosse.

Quem sabe

se eu era.

Quem sabe

quando virei

alguma coisa.

Quem me dera.

Eu tento

e não faço.

Eu faço

e não vejo.

E se tudo isso

fizer parte

de um plano?

Alguém por aí

escrevendo uma história

comigo no meio.

Que loucura...

Eu viajo.

Eu sonho.

Eu tento.

E quem sabe...

eu seja

a pessoa do meio.

quarta-feira, 8 de julho de 2026

Tempo

Em um copo, meio cheio 
Nada encontro, nem um freio 
Uma batida ou uma hipótese 
Um sentido ou um norte.
Grande coisa, não me busco
Nem me apelo aqui no fundo 
Não me acho em minha casa
Nem na rua onde estive
Compro sempre as mesmas mortes
Me enxugo em traumas leves
Onde estou, onde vou
Eu perdi o interesse 
As vezes finjo as vezes fujo 
Mas cadê o realmente.
Nada tem e nada dou
E vago ao leu do arpoador
Fome cansa de se ser firme 
Mas enfeito os dias tristes
Venha logo,ò grande fim
Leve o resto que há de mim
Pois não sobrou quase nada
Do que um dia houve aqui.