domingo, 28 de junho de 2026

culpa

O que você vê, realmente é 
Não existe verdade nos atos
Podem ser moldados ao momento 
Um tempo de conforto 
Um caso de mentira 
Meu corpo se foi ontem
minha mente já não vejo 
Caibo pouco nessa farsa
Meço dedos e cantigas
Me suporto ao ponto certo
Me confundo ao traço reto
Letra a letra dessa presa 
Combo certo de alegria
Não a minha, não agora
Torço o tempo em meio ao dia
Hoje é praga
Hoje é fria
Meu caminho me mantinha 
Tão cego é tão difícil 
Me conforto com o todo
Me apago como cinzas 
Me anulei pouco a pouco 
E sumo em mim mesmo

sábado, 27 de junho de 2026

punk e rock

Corre, se apresse o muro está caindo 
Foi de longe a primeira visão 
No fundo é mais fácil ver a luz
No dia a noite corre sozinha
Na catástrofe um pouco de ar
Encanto o som tá.guitarra
Sem perdão aos ouvidos
Caos e melodia
Apareceu e sumiu 
Nada diferente dele
Ele tem contra no sussurro 
Parte ele e me parte 
Suor e dormência 
Meus dedos já doem
Não mais pelo dedilha
Escolher é sofrer
Correr, outra vez
Me manda acordar
Nesse som sem perdão 
Mas por sim que por não 
A doce dor da liberdade 

quinta-feira, 25 de junho de 2026

Adiante

Calmaria no mar, não trás onda
Sorriso sem cor, nem cá e nem lá 
Uma parte de mim já caiu e voltou 
O meu ato final ainda não chegou 
Se meu som é tão baixo eu escuto o eco
O caminho de terra e repleto de mato
Não sonhei tão em vão, nem corri por um nada
Derretto meu gelo na saída da praça 
Eu adoro os campos verdes 
Mas odeio as migalhas
Antes era um presente 
Decaindo no processo 
Sorte então já não sentia 
Menos eu e mais mentira 
Camadas entregues ao lado vivo
Perdido em casa no meio da cama
Sonhar certo dia, um drama qualquer 
Torcendo por dores o peso da calma
Talvez sem um fim é falha da alma

segunda-feira, 22 de junho de 2026

Metáforas de um verso

Tudo é até não ser 
Antes voz agora eco 
Antes calma, agora pressa 
Antes alma, agora corpo
Antes tudo, agora nada

Foi-te embora, pela porta 
Capitão em seu navio , 
onde o mar não faz redemoinho 
Na despedida um asceno 
Mas na chegada um beijo 

Mal amado, mal caráter 
Mal educado e mal, bem  nem tanto 
Soprou forte a cortina ,co vento derrubou o vaso
Com destino em suas mãos ou apenas o acaso

Tudo foi e volta a ser
Em nova aurora ou amanhecer 
Cante comigo, seja bem vindo 
De corpo e alma 
Sem pressa 
E tudo se acalma.
De novo.



quarta-feira, 17 de junho de 2026

Mas e no meio?

No início, era luz, era caminho , era destino 
Antes fosse, como tudo o real assumindo 
Fora eu, talvez fosse de fato bom
Mas fato esse que o torto e falho 
Quebrou em partes e finos cacos 
Ontes fosse, mais um murmúrio 
Ou uma hipótese a mais no vento 
Melhor sofrer o golpe logo e sem dó 
Nem pena, nem galinha
Mas fato esse quebse não somo eu sumo
E deveria, por menos hoje
Melhor não ter e permanecer firme
Nem calma, nem cama
Sem isso tu vinga, tudo cresce e floresce
No fim, sou breu, sou morfina. 
Uma rua sem saída. 

terça-feira, 16 de junho de 2026

a morte

Não a amo e nem odeio 
Não a quero de fato alheio 
Admiro como via suprema
Atordoa e ainda plena
Caminho ao lado, apenas ao lado
E ao redor me fala asneiras
Como querer quem quer o todo 
E ainda estar no altar de todos
Mas ela é muito e pouco apreço 
A venero mas não mereço 
Nem quero ir ao seu encontro 
Mas sinto estar  no seu caminho
Um dia iremos estar juntinhos
Não agora nem tão cedo
Mas não a amor nem a odeio 
Que todo fim é belo e certo.
Incerto mesmo apenas nós 
Pois ela é certa e tão certeira 
Do por do sol a note preta.
Mas não amo nem a odeio. 
Creio.

Discórdia

É como um montoado de coisas existindo 
Atordoado por flechas de todas as direções 
Não como mártir, apenas vítima 

Ontem o caminha era mais torto
Hoje a premissa é simples
Amanhã o talvez me permeia 

Cantiga de novo, uma roda de vida
Ciclo inerte de contas e pérolas
Adorno de fita, de laço, de aço 

Outrora um autor, um poeta,num menino 
Caminhante não há caminho 
Já dizia meu livro 

Me vem na memória o desejo da sorte
Me agrada nos dias o querer pela morte
Me sinto a vontade vivendo sem norte 

Chegando, eu chego, não chega de vez 
Amando não canto, me engano outra vez
Sigo escrevendo, com pouco em escassez 

Por isso não digo, não brigo nem falo
Me calo, me escondo com dor e fadiga
Não busco mais glória apenas caminho 

quarta-feira, 10 de junho de 2026

Por inteiro

Sigo em partes, pedaços de mim
Coloco em palavras os números quebrados 
Metáfora de algo que cola o meu eu
Cadência de erros e dores sem fim

Mergulho em triste e me afogo em saudades
Escrevo tão mal que consulto os passado 
Descrevo o meu todo em frações inexatas
Me busco em canções que não cobram pedágio 

Se falta estrutura, te jogo um soneto
Me faço se culto,
Te mostro o lamento

Não presto mais contas 
Nem julgo meus atos
Estou na espera do próximo ato

4/4

Logo ali, no poente
Um menino, um poeta
Um palhaço, uma festa
Entre tudo, dentre todos 
Ainda sim, ainda resta 
Onde está o menino ?
Pergunto ao reflexo 
Não se esconde de mim
Nem corra tão cedo 
Logo ali, no poente 
Uma dor, uma aresta
Um sofre e uma festa
Não se esconde de mim
Eu te acho sem pressa 
Sempre ali, na espera
O melhor nos espera 
Se eu vencer essa noite
Amanhã vai ter festa 
Logo ali, no poente 

3/4

O que resta, no resto 
Tão quanto o preço, o custo 
Na conta exata o momento 
Nos números as dores
Se somo aos teus poucos
Ser positivo e não sobras
Me refaço nas contas
E encaixo as perdas
Tal qual como um balanço 
Quem jugar necessidade 
Ou apenas costume 
Um sentido sem foco 
Sem um público alvo 
Tal empresa reside
Como abrigo logo a frente
Mas não paga ou se paga
Nem vendendo as correntes 
Matematicamente 
Uma vida falida 
Uma mente doente 

2/4

A força que fazem 
Que acho que foi 
Mas só na cabeça
Mas só no meu ver
Que tiram o centro 
Que movem o peso
Não caibo em mim 
Nem tenho mais tempo
Quem fui ou quem sou 
No momento é questão 

Tão fraco que assusta
O que fica é o resto 
Não só na cabeça 
Aos olhos de todos
Aos cantos e arestas 
Não movem nem ar
Tão grande que invade
Consome uma vida
Que agora estou indo
A resposta é a mesma


1/4

Parte de mim é casa
Outra é abrigo 
Parte do sangue é coragem 
Outra é dor
Parte da água é vida 
Outra é morte

Fim de semana eu não vou 
No outro eu nem estarei
Cansei de sorrir no espelho 
Vendi meu amor no brechó 

Parte de dentro é fora
Outra é moral 
Parte de tudo é o fim
A outro o começo 
Parte mim é certeza
Outra é dúvida 

quinta-feira, 4 de junho de 2026

i am suvvivor

Pouco ouço sobre os que ficam 
Tantos se vão, por medo
Por falta
Por pouco
Mas nem todos
O ego fica
Quem mais
Quem menos
A melhor parte 
Sem música 
Sem filme 
Sem glória
Ficar não vende?
A alegria de ser 
Permanecer
Sorrir
Solitar
Se  fui, se quis, se foi
Nem ouço mais trauma tocar
Cabia em tanto que exauri
O bom que está.
O pior pra você
O melhor de mim 
Que ficou 
Que amou 
Que seguiu 
Que vive 

terça-feira, 2 de junho de 2026

outro se

Se, o sim vier
Ou mesmo assim ficar
Como saber se é crível 
Ou mesmo ir e não saber 
Se, eu não tentar 
E o acaso me alcançar 
A mente vai mergulhar 
A dúvida vai afundar
Se, talvez soprar 
O carro vai afogar 
O motor vai arriar 
Não tenho como frear 
E se , apenas se 
Meu caso alucinar
Os cacos não vão cortar 
E um vitral pode brilhar 
Mas , se por se já basta
E amarga qualquer café 
Escolhas não são o ápice 
Por isso o limbo é parte
E se, o se já for resposta 
Mas sempre é sim ou não 

Ponto cruz

Certa vez, não por enquanto 
Ouvi dizer, mas no entanto 
Da falta que a falta faz
Gatilho pra costurar 
E linha sem fim
Uma renda, um lençol 
Um pano de chão 
Em que o uso 
Ou desuso
Ou prelúdio 
Concluo
Se falta se basta o todo
Se cheio apenas o copo
O corpo 
Já vem oco
Como quem diz
Espera um pouco!
Enquanto vem
E quando vem
Não vem
Se foi, já era 
Se está, já foi
E começa 
E termina 
No ponto 
Na linha
Na agulha 

segunda-feira, 1 de junho de 2026

ELA*

Em sua companhia 
Já não me assusta
Por vezes, conforta
Quem sabe hoje
Quando ela vem
Quando ela chega 
Corte seco no ar
Perfundo na pele
O eco de mim 
O sopro do caos
Nem encontro 
Nem me acho 
Quis sentir
Senti 
Quis ter 
Tive
O peso do que existe
Indefensável 
Indiferente 
Incoerente 
Foco no fim
Dia pós dia
Ela não veio hoje 
Te aguardo 
Amanhã