Certa noite,
à meia-noite,
um lobo,
sozinho,
olhava o céu.
E assim pensava:
"Que amor é esse
que sinto pelo todo?
Pelas estrelas
e pelo breu?
Quem me contempla?
Quem escuta
meu uivar
ao anoitecer?"
Não sabia
se existia um tempo.
Nem um destino.
Nem um caminho
que devesse seguir.
Mas seguia o canto.
E ouvia vozes
que o haviam trazido
até ali.
Se as estrelas
pudessem responder,
talvez dissessem:
"Seu louco...
não cante para o mundo
aquilo
que apenas você
deveria ouvir."
Mas...
essa nunca foi
a verdadeira história.
Porque,
muito antes
do primeiro uivo,
uma estrela
já conhecia
o segredo.
Sabia
que o amor
é apenas
o canto
de um lobo
para a lua.
Mesmo sem saber
que a lua
sempre esteve
escutando.
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