sábado, 4 de julho de 2026

Quartos

Na mesa ao lado, apenas cinzas
A frente o que já não me convence
Lençóis sujos ou tão gastos
Olhar de cima é golpe baixo 

Dentre areia e outros pelos
A sujeira impregnada 
Calma o peso do copo 
Sob as molas já sofridas

Onde joga as roupas velhas
Onde compro novos tênis 
Minhas meias já furadas
Meu passado corrompido 

Argumentos sem contexto
Ou lamentos sem presença 
Calo o rangir da porta seca
Ouço bater da sua partida

Nunca houve um recomeço 
Ontem mesmo era dia
Faz de conta e faca as contas
A porta mesmo foi eu que abri

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