num chão que cede ao toque?
Se onde piso é sempre mole,
como confiar no norte?
Como seguir adiante
se o passado é inato,
insólito, insistente,
morando em cada ato?
O que faço pra sorrir
se o amor em mim é pouco?
Se tudo o que já foi inteiro
hoje cabe em tão pouco?
Faço rimas.
Faço histórias.
Canto restos da memória.
Mas nada encontra preço,
ritmo, peso ou valor.
Eu forço.
Eu arrisco.
Eu me exponho.
Eu insisto.
E, ainda assim,
em nenhum momento
eu estou presente.
Depois me escondo.
Me acanho.
Fujo de mim mesmo
como quem conhece o caminho.
Se o amor já existiu...
Se ainda existe...
Se ainda vai existir...
Que bosta é essa?
Eu só queria,
nem que fosse por um instante,
sentir de novo
um pouco de prazer.
Mas faz de conta...
Faz de conta que está tudo certo.
Porque, no fim,
é isso
que eles querem ver.
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